O verdadeiro culto se torna mais profundo e intenso, quando o objetivo principal é a glorificação de Deus e a edificação da igreja. O culto desde a igreja primitiva foi cristocêntrico, e continua sendo nos tempos contemporâneos, se o culto não for plenamente voltado para a adoração e reconhecimento de Cristo, então esse culto, precisa rever qual é o alvo da sua reverência. Todos os demais itens que compõem o culto, tais como a pregação da palavra, os sacramentos, são partes essenciais do culto cristão.
Além do mais, o culto, não é feito ou prestado para agradar a homens, uma vez que ele é teocêntrico e não antropocêntrico. Ele é feito tendo em vista o glorificar, honrar, engrandecer a Deus, e, como, resultado disso, a igreja é edificada e atua como agente de transformação de pecadores.
O culto é o oferecimento de louvor e adoração ao Senhor e o reconhecimento da graça que Deus deu a igreja por meio da obra redentora de Cristo, trazendo á memória os ofícios de Cristo como Rei que governa todo o universo e que todas as coisas subsistem por Ele e para Ele, como Sacerdote que ofereceu o seu próprio corpo como sacrifício vivo e agradável a Deus e como Profeta que manifesta o amor e a vontade de Deus para a humanidade.
O culto cristão, só tem um alvo de adoração, a Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito santo). Não adoramos anjos ou outros seres celestiais, nem a natureza, os astros, ídolos ou qualquer outra coisa, pois tudo isso fora criado por Deus, e por isso somente a ele damos glória, honra, louvor, adoração para todo o sempre.
Por meio do Espírito Santo que habita em nós, somos capazes de oferecer um verdadeiro culto, por intermédio dele o cristão chega até o céu e pode tocar a Deus com a sua adoração, sintonizado em íntima comunhão com o autor e consumador da nossa fé. Tão imensa é a profundidade do culto, que quando somos entronizados na presença de Deus por meio do Espírito Santo, temos a certeza que somos um só corpo com ele.
O culto é um encontro profundo e sublime com o criador Santo, Supremo, Justo, Fiel e Eterno, com os seus fiéis adoradores, que com uma atitude de sacrifício adora a Deus juntamente com os anjos do céu e como conseqüência disso o povo é abençoado na terra.
O culto pode ser também chamado de um serviço prestado a Deus, ao qual, quando esses trabalhos são realizados em espírito e em verdade, tornam-se adoradores e não apenas serviçais. Como diz Paulo aos Romanos, devemos prestar um culto racional a Deus, oferecendo a ele o nosso corpo como sacrifício vivo e agradável, dessa forma, experimentaremos a boa, perfeita e agradável vontade de Deus. O texto não diz prestar um culto agradável ao homem, mas a Deus, Ele é o centro, o Ser que adoramos e bendizemos.
As sagradas escrituras atuam como agentes reguladores daquilo que pode ou não ser aplicado e utilizado no culto, uma vez que nela encontramos o que é essencial, fundamental e principal para a prestação de um culto agradável ao Senhor Deus (Trindade).
Adoramos a Deus pelo que ele é, faz e fará. Ele é bom, reto, misericordioso, santo, justo e verdadeiro, Ele é o nosso Deus e nós somos os seus adoradores. Adoradores que o adora constantemente. Nosso culto não se encerra ou se limita ao momento que nos encontramos no templo, pelo contrário, uma vida que agrada a Deus tem que está incessantemente em sua presença prestando louvor e adoração.
A ordem no culto e a liturgia são ferramentas espirituais que atingem profundamente o coração do adorador e agrada a Deus. Quando o culto é prestado em espírito e em verdade, tem ordem, reverência, decência, é edificante e abençoa. Além disso, glorifica a Deus, edifica o corpo de Cristo e evangeliza os perdidos.
É de fundamental importância compreender o porquê da liturgia, a razão pela qual, de ser das partes do culto. Praticamente o culto se constitui de louvor, oração, pregação da palavra e a celebração bíblica dos sacramentos. Não há uma ordem específica, mas é essencial conter no culto esses elementos e essas celebrações que visam e tem como intuito principal glorificar a Deus.
Na visão de Isaías percebemos que o culto que agrada a Deus já está acontecendo e ali acontece a verdadeira adoração. O culto celestial não cessa, ele está ativo constantemente. Por isso, é tão importante sentirmos a presença de Deus para que tenha sentido o louvor, à adoração, às orações, a pregação da palavra, a celebração dos sacramentos bíblicos e à resposta obediente à voz de Deus.
O culto verdadeiro leva o homem a reconhecer a sua condição de pecador e de exaltar aquele que é Santo, Santo, Santo, o Rei da Glória, o Deus todo Poderoso, o grande EU SOU. Quando se tem uma idéia clara da visão (presença) de Deus, de si próprio e do povo (outro), é indícios de uma preparação para um culto que agrada a Deus.
O culto tem molde próprio, é a sua liturgia, a maneira como se ordena os atos ou partes do culto, não é um ritual único como regra, no entanto, a Bíblia ensina que deve haver “decência e ordem”. Ele tem que ter sentido, e o agente que dá sentido ao culto e que ilumina o cristão em todas as partes e atos que serão desenvolvidos nele é o Espírito Santo.
De fato, um culto bem preparado é como um prato bem temperado e feito com as melhores especiarias. A ordem, a decência e a edificação são princípios que devem ser desenvolvidos a fim de, glorificar a Deus e edificar os homens.
O verdadeiro adorador é atraído pela beleza da santidade de Deus e é levado a glorificá-lo, a adorá-lo e não apenas ser um expectador da glória de Deus. O culto cristão tem esse intuito, de levar as pessoas a serem capazes de ouvir a voz de Deus e de participarem do culto. É maravilhoso adorar. É tremendo ouvir a voz de Deus, senti-lo é um privilégio que somente os verdadeiros adoradores têm.
É dever meu e seu, de adorar a Deus pelo o que Ele é, pelo que Ele fez, faz e fará na nossa vida, na Igreja e na História.
O culto é como uma pista de mão dupla, onde o homem entra em um diálogo com Deus. Quando Deus fala, o homem se emudece, se concentra, medita, ora e chora na presença de Deus, depois responde de forma obediente. Ou seja, Deus manifesta a sua presença e o homem (cristão) responde com a confissão dos seus pecados. O homem reponde às expressões da graça redentora e perdoadora de Deus com orações de gratidão e com hinos de louvor.
Quando temos a culpa removida pelo senhor, celebramos, não com cânticos de confissão, mas com cânticos de louvor e de ações de graça. Assim, ficamos preparados para ouvir a voz de Deus.
Todo hino, leitura bíblica, orações, testemunhos devem ser apropriados com o momento do culto. O uso da liturgia não é uma camisa de força, mas uma ordem natural, lógica e inteligente das coisas. O culto pode ser temático e ainda assim ser litúrgico, solene, alegre, descontraído, uma vez que quem presta o culto somos nós cristãos adoradores e não o modelo como ele é celebrado, mas por quem é celebrado.
Cada momento do culto tem sua singular importância, e não há momento mais ou menos importante que outros, uma vez que o culto é prestado continuamente pelos verdadeiros adoradores. Quando a liturgia do templo se encerra, prossegue a liturgia da vida prática. Uma vida de adoração, louvor, amor e serviço ao nosso Deus Trino.
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